Hoje, estava eu andando de ônibus, como qualquer cidadão da minha idade que não tem o famoso "paitrocínio", e presenciei uma cena relativamente comum neste ambiente que me fez pensar: Uma senhora entrou no ônibus e pediu para uma moça um lugar, prontamente a moça atendeu a solicitação daquela senhora que até então parecia inofenciva. Porém a senhora não ficou contente em ter um lugar pra sentar começou a proferir palavras de baixo calão (que não ousaria repetir aqui, pois este é um blog de respeito.)por ter tido o trabalho de pedir o lugar para se sentar. No meio da confusão chegou outro senhor que começou a reclamar que o ferro no qual nos seguramos para lutar contra a inercia (que talvez eu possa chamar de corrimão, mas não tenho certeza) era muito alto e que aquela saida do ônibus (adaptada para deficientes) era muito ruim, pois não tinha onde segurar. Nisso um outro senhor soltou a maior gargalhada e mais meia dúzia de pessoas, incluindo eu, o acompanharam. Depois explicou que estava rindo de como nada está totalmente bom pras pessoas.
Desci do ônibus e comecei a pensar sobre o que ele tinha dito e realmente.Tudo que é bom a gente sempre tem que achar uma coisa ruim, e todos nós cansamos de ouvir e repetir "temos que olhar o lado bom das coisas." e quem foi que nos ensinou a fazer isso? Por que todo mundo que eu conheço, mais uma vez me incluindo, nunca está totalmente feliz. Estamos sempre divididos entre duas coisas e as queremos ao mesmo tempo, se isso não é possível, ficamos um pouquinho infelizes.
- Tá calor, né?
- É, mas eu gosto de frio.
- Agora tá frio você deve estar feliz!
- Não, eu gosto um pouquinho menos frio.
- Agora esquentou um pouco, tá feliz?
- Estaria se não fosse essa garoa.
- Parou de chover e está 18º. Perfeito, não?
- Ah! Acho que está um pouco seco o ar.
E até o amor nós conseguimos estragar.Quando solteiro:
- Queria tanto encontrar alguém pra sossegar...
Quando namorando:
- Ah... mas sinto falta das festas de quando eu era solteiro.
Achou a pessoa 'perfeita':
- A Paula é a mulher da minha vida! Só a amaria mais se ela não pintasse o cabelo ou não pintasse a unha daquela cor ou não gostasse de pagode ou se tivesse a bunda da Joana.
Ninguém é perfeito pra gente, nem uma pessoa igual a nós (essa sim seria insuportável!), nem o cara da novela, nem a mulher da playboy.Nem aquela pessoa que a gente acha que vai passar o resto da vida. Ees sempre tem defeitos e vão mudar muito e provavelmente vão mudar tudo o que você gosta, mas o que você não gosta, ah! isso vai te infernizar pra sempre.
Mas por que não ver as qualidades? Por que não ver as coisas boas? Por que não aproveitar o tempo que teêm juntos? Por que não agradecer que te deram o lugar ou que você tem mão pra segurar no ônibus ou que algum deficiente vai poder finalmente se locomover com mais facilidade?
Dizem que o ser humano está sempre buscando a felicidade plena, mas eu particularmente acho que nós gostamos mesmo é de sermos infelizes. Vamos atrás da felicidade como loucos e quando alcançamos, talvez por medo ou um masoquismo nato da espécie ou qualquer outra razão que eu desconheça, sempre damos um jeito de achar alguma coisa que não está boa.
Afinal tudo que é bom demais não pode ser verdade.
quinta-feira, 11 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
Nublado
Era um dia nublado. E tinha um pouco de triste, muito de cinza, uma dose de melancolia e um certo "não sei o que" de belo.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua com aquela garoinha caindo, aquela que todos os paulistas conhecem muito bem, vi uma mulher e sua filha dividindo o guarda-chuva, um homem tentando se esconder em baixo de um toldo e olhei pra porta de vidro de um pequeno hotel e me vi, tomando garoa no meio da rua e com o rosto muito mais nublado que o dia.
Lembrei de uma viagem que fiz, em que todos os dias foram assim, mas meu rosto estava ensolarado. Mas os dias não são mais os mesmos, as pessoas não são mais as mesmas e as nuvens também cobriram meu sol.
Voltei para o presente e para o nublado. Continuei caminhando.
Me deu uma saudade daquele tempo em que dia nublado era sinônimo de edredon, sessão da tarde, chá e bolinho de chuva. Quando minha vô pedia pra eu deitar do lado dela pra esquentar seus pés. Ou mais tarde quando significava pipoca, filme e namoro.
Continuei caminhando, observando e garoando. Vi um timido raio de sol tentando passar pelas nuvens.
Cheguei em casa e jah estava molhado, mas não sei de que garoa.
Fui até meu quarto e olhei no espelho, vi como os anos tinham passado, quantas marcas tinham deixado, por dentro e por fora. Foi então que chovi, por ninguém, além de mim, poder ver os meus tímidos raios de sol, que já fizeram 40º e ainda lutam com as nuvens.
Olhei as fotos antigas, com pessoas que não vivem mais além de dentro de mim, reli as antigas cartas de amor, e as nuvens foram sumindo.
Lembrei daqueles amigos que já foram os melhores, lembrei das namoradas que também foram os grandes amores da minha vida, lembrei do grande amor da minha vida de verdade, dos dias especiais que estive com quem realmente importava (era pelo menos o que eu pensava na época), lembrei de meus pais e meus irmãos... parei de tentar não lembrar.
Tomei banho e fui dormir. Choveu durante toda a noite.
Acordei e caminhei pro trabalho. Era um dia nublado. E tinha um pouco de triste, muito de cinza, uma dose de melancolia e um certo "não sei o que" de belo.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua olhei no vidro de um carro e vi o sol.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua com aquela garoinha caindo, aquela que todos os paulistas conhecem muito bem, vi uma mulher e sua filha dividindo o guarda-chuva, um homem tentando se esconder em baixo de um toldo e olhei pra porta de vidro de um pequeno hotel e me vi, tomando garoa no meio da rua e com o rosto muito mais nublado que o dia.
Lembrei de uma viagem que fiz, em que todos os dias foram assim, mas meu rosto estava ensolarado. Mas os dias não são mais os mesmos, as pessoas não são mais as mesmas e as nuvens também cobriram meu sol.
Voltei para o presente e para o nublado. Continuei caminhando.
Me deu uma saudade daquele tempo em que dia nublado era sinônimo de edredon, sessão da tarde, chá e bolinho de chuva. Quando minha vô pedia pra eu deitar do lado dela pra esquentar seus pés. Ou mais tarde quando significava pipoca, filme e namoro.
Continuei caminhando, observando e garoando. Vi um timido raio de sol tentando passar pelas nuvens.
Cheguei em casa e jah estava molhado, mas não sei de que garoa.
Fui até meu quarto e olhei no espelho, vi como os anos tinham passado, quantas marcas tinham deixado, por dentro e por fora. Foi então que chovi, por ninguém, além de mim, poder ver os meus tímidos raios de sol, que já fizeram 40º e ainda lutam com as nuvens.
Olhei as fotos antigas, com pessoas que não vivem mais além de dentro de mim, reli as antigas cartas de amor, e as nuvens foram sumindo.
Lembrei daqueles amigos que já foram os melhores, lembrei das namoradas que também foram os grandes amores da minha vida, lembrei do grande amor da minha vida de verdade, dos dias especiais que estive com quem realmente importava (era pelo menos o que eu pensava na época), lembrei de meus pais e meus irmãos... parei de tentar não lembrar.
Tomei banho e fui dormir. Choveu durante toda a noite.
Acordei e caminhei pro trabalho. Era um dia nublado. E tinha um pouco de triste, muito de cinza, uma dose de melancolia e um certo "não sei o que" de belo.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua olhei no vidro de um carro e vi o sol.
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