segunda-feira, 1 de março de 2010

Nublado

Era um dia nublado. E tinha um pouco de triste, muito de cinza, uma dose de melancolia e um certo "não sei o que" de belo.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua com aquela garoinha caindo, aquela que todos os paulistas conhecem muito bem, vi uma mulher e sua filha dividindo o guarda-chuva, um homem tentando se esconder em baixo de um toldo e olhei pra porta de vidro de um pequeno hotel e me vi, tomando garoa no meio da rua e com o rosto muito mais nublado que o dia.
Lembrei de uma viagem que fiz, em que todos os dias foram assim, mas meu rosto estava ensolarado. Mas os dias não são mais os mesmos, as pessoas não são mais as mesmas e as nuvens também cobriram meu sol.
Voltei para o presente e para o nublado. Continuei caminhando.
Me deu uma saudade daquele tempo em que dia nublado era sinônimo de edredon, sessão da tarde, chá e bolinho de chuva. Quando minha vô pedia pra eu deitar do lado dela pra esquentar seus pés. Ou mais tarde quando significava pipoca, filme e namoro.
Continuei caminhando, observando e garoando. Vi um timido raio de sol tentando passar pelas nuvens.
Cheguei em casa e jah estava molhado, mas não sei de que garoa.
Fui até meu quarto e olhei no espelho, vi como os anos tinham passado, quantas marcas tinham deixado, por dentro e por fora. Foi então que chovi, por ninguém, além de mim, poder ver os meus tímidos raios de sol, que já fizeram 40º e ainda lutam com as nuvens.
Olhei as fotos antigas, com pessoas que não vivem mais além de dentro de mim, reli as antigas cartas de amor, e as nuvens foram sumindo.
Lembrei daqueles amigos que já foram os melhores, lembrei das namoradas que também foram os grandes amores da minha vida, lembrei do grande amor da minha vida de verdade, dos dias especiais que estive com quem realmente importava (era pelo menos o que eu pensava na época), lembrei de meus pais e meus irmãos... parei de tentar não lembrar.
Tomei banho e fui dormir. Choveu durante toda a noite.
Acordei e caminhei pro trabalho. Era um dia nublado. E tinha um pouco de triste, muito de cinza, uma dose de melancolia e um certo "não sei o que" de belo.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua olhei no vidro de um carro e vi o sol.

Um comentário:

  1. Texto triste... como diria o meu amigo Zezé, vc está precisando de um temporal de amor! rs

    Como diria uma certa banda de reggae... Deixa o sol brilhar. O seu sol.

    Beijosss!!!
    Posta mais!!! =)

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