quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Versões

"Não faça isso!!!"..."Vá em frente."..."Se fizer não tem volta!"..."Mas falta tão pouco...".
E assim continuei durante 2 dias inteiros. Naquele típico drama de consciência que só quem já passou por isso sabe como é desesperador.
Há alguns anos atrás eu não pensaria nisso... Por que minha vida era ótima!
Conhecia muita gente, gente nova e novas versões de gente velha.
"Vai fazer ou não?"..."Não"... "Sim"... "Não!!!!!".. "Sim."
Agora estou aqui, sentada no chão (ou no teto?!) frio, olhando as luzes que acendem e apagam consomindo a minha energia sem nem me pedir licença.
"Sim."... "Não!"... "Sim."... "Não"
Eu continuo estática. Eu?! A nova versão de mim mesma.
Percebo que alguém me observa. Uma mulher. Sentada onde eu estou, vestindo a mesma roupa que eu, e com o mesmo olhar que não mostrava nada. E nesse instante me sinto roubada. Eu estava sendo roubada por mim mesma e de mim mesma! E nessa hora sinto uma vontade imensa de rir. E eu ri, assim como ela.
"Sim."... "Sim."..."Sim!"... "Sim!!!"
Levantei. Ela ficou, me olhando como se pudesse prever meus passos. Como se já tivesse andado meus passos. Isso me incomoda absurdamente.
Começo a andar de encontro as luzes que me consumiam. E ela não estava mais lá.
Me desespero.
Pra onde foi?! Pra onde foi a única pessoa que teve coragem de me ver assim?!
E percebo que ela realmente me roubou, então eu choro.
"Não."... "Não."... "Não!"... "Não!!!"
Recuo.
Decido que vou me sentar novamente e olhar as janelas do prédio em frente, onde cada um que conheço ousa viver, enquanto eu permaneço sentada e olho.
Levanto.
E num impulso momentâneo, enquanto as luzes apagavam... eu pulei!

Acordei.
Levantei.
Olhei no espelho... uffa...
Eu renasci.

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