segunda-feira, 19 de julho de 2010

Saudade

"A saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi."

Quantas pessoas já tentaram definir Saudade? Eu tenho certeza de que não conseguiria contá-las. E eu não ouso competir com elas, muito menos com Francisco Buarque de Hollanda, que na minha opinião, conseguiu chegar perto do que é Saudade na música "Pedaço de mim".
Acredito que todos saibam que é uma palavra exclusiva da língua portuguesa, por que alguém percebeu que dizer só "sinto falta" não é suficiente, acredito que falta não é exatamente um sentimento e sim só notar a ausência de algo, como um vaso, por exemplo.
"Sinto falta de um vaso no topo da escada.".
Agora Saudade é outra história. Saudade é um sentimento exclusivo para pessoas ou até mesmo coisas muito especiais.
Eu acho que nem poderia contar de quantas coisas e pessoas eu sinto saudade, e fico feliz por isso. Fico feliz agora que sinto a 'Saudade Boa'.
Sim, eu costumo dividir Saudade em duas fases: Boa e Ruim.
A Saudade Ruim é a que vem primeiro, que parece que vai nos consumir até o âmago. É aquela Saudade que nos toma todos os pensamentos, que parece materializar a ausência, que dói e dói de verdade, o coração acelera, dá aquele nó na garganta que parece que vai nos matar sufocados até que.... explode em lágrimas.
Aí a gente se acostuma com a 'falta' e vem a Saudade Boa, aquela que é até gostosa de sentir. É aquela Saudade que não trás vazio, e sim preenchimento, que parece manter vivas as pessoas que infelizmente não estão mais ou a criança que nós fomos, que matem os cheiros e os sabores, que nos faz sentir aquele abraço que não temos mais.
Estou escrevendo isto e posso não estar certa, mas tenho conhecimento de causa.
Tenho saudade da minha infância correndo pela chácara de meus pais, de olhar o trem passar, tenho saudade dos meus cachorros que não estão mais vivos, tenho saudade da escola, tenho saudade dos amigos que não vejo mais, dos que nunca mais poderei ver, tenho saudade de ficar à toa de tarde e me deitar ao lado de minha vó, tenho saudade de correr pra encontrar meu vô na rua quando ele voltava do trabalho, tenho saudade de ficar na rua até tarde jogando conversa fora, de matar aula pra comer misto quente, de matar aula só pra ficar conversando deitada no chão da quadra, tenho saudade dos bate-e-volta no meio da madrugada, de toda noite acabar no habib's, tenho saudade de pegar um ônibus para fugir de alguns problemas, saudade de procurar o bun na porta da faculdade, de matar aula pra ficar no skype e de muitas outras coisas.
Mas são Saudades Boas, de coisas que me fizeram ser quem eu sou hoje, de pessoas que independente de qualquer coisa vão sempre fazer parte de mim.
Acredito que podemos medir quão boa foi a vida de alguém baseados em suas Saudades. E vc? Tem Saudade de que?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mais uma estrela no céu

"E aqui no coração, eu sei que vou morrer um pouco a cada dia..."

Setenta e sete anos de vida e cinquenta e sete anos de casada.
Era uma pessoa extraordinária, daquelas que vocês as vezes vê na televisão e que são exemplos de vida.
Ela era uma mulher, uma esposa, uma mãe, uma avó, uma bisavó, uma tia, uma tia-avó, uma amiga, mas era mais... era uma força da natureza e que emprestava sua força e sabedoria para quem quer que fosse. Tinha amigos em todos os lugares, trabalhava aos setenta e sete anos e fazia planos como se fosse viver pra sempre.
Nunca achou que estivesse velha, e realmente não era, era uma das pessoas mais jovens que conhecia, talvez fosse até mais jovem que eu.
Não importava onde iria, estava sempre arrumada. Desde que me entendo por gente, a via com os cabelos impecáveis, com seus brincos e colares, que nunca mais vai ficar bem em ninguém, mas parecia terem sido feitos pensando nela.
Uma lutadora, que passou por maus bocados, mas sempre esteve firme.
Eu tive o privilégio de nascer na mesma família que ela. E hoje compartilho com a multidão que ela cativou, a dor da saudade.
Sei que deve estar feliz ao lado de sua irmã, cunhado, mãe e todos que amava e que já não se encontram entre nós.
Tenho certeza que continuará conosco, da maneira que for possível e estará sempre viva dentro de nós.

Saudades Tia Nena.

"...mas sem que se perceba, a gente se encontra pra uma outra folia."

quinta-feira, 11 de março de 2010

(in) Felicidade

Hoje, estava eu andando de ônibus, como qualquer cidadão da minha idade que não tem o famoso "paitrocínio", e presenciei uma cena relativamente comum neste ambiente que me fez pensar: Uma senhora entrou no ônibus e pediu para uma moça um lugar, prontamente a moça atendeu a solicitação daquela senhora que até então parecia inofenciva. Porém a senhora não ficou contente em ter um lugar pra sentar começou a proferir palavras de baixo calão (que não ousaria repetir aqui, pois este é um blog de respeito.)por ter tido o trabalho de pedir o lugar para se sentar. No meio da confusão chegou outro senhor que começou a reclamar que o ferro no qual nos seguramos para lutar contra a inercia (que talvez eu possa chamar de corrimão, mas não tenho certeza) era muito alto e que aquela saida do ônibus (adaptada para deficientes) era muito ruim, pois não tinha onde segurar. Nisso um outro senhor soltou a maior gargalhada e mais meia dúzia de pessoas, incluindo eu, o acompanharam. Depois explicou que estava rindo de como nada está totalmente bom pras pessoas.
Desci do ônibus e comecei a pensar sobre o que ele tinha dito e realmente.Tudo que é bom a gente sempre tem que achar uma coisa ruim, e todos nós cansamos de ouvir e repetir "temos que olhar o lado bom das coisas." e quem foi que nos ensinou a fazer isso? Por que todo mundo que eu conheço, mais uma vez me incluindo, nunca está totalmente feliz. Estamos sempre divididos entre duas coisas e as queremos ao mesmo tempo, se isso não é possível, ficamos um pouquinho infelizes.
- Tá calor, né?
- É, mas eu gosto de frio.
- Agora tá frio você deve estar feliz!
- Não, eu gosto um pouquinho menos frio.
- Agora esquentou um pouco, tá feliz?
- Estaria se não fosse essa garoa.
- Parou de chover e está 18º. Perfeito, não?
- Ah! Acho que está um pouco seco o ar.
E até o amor nós conseguimos estragar.Quando solteiro:
- Queria tanto encontrar alguém pra sossegar...
Quando namorando:
- Ah... mas sinto falta das festas de quando eu era solteiro.
Achou a pessoa 'perfeita':
- A Paula é a mulher da minha vida! Só a amaria mais se ela não pintasse o cabelo ou não pintasse a unha daquela cor ou não gostasse de pagode ou se tivesse a bunda da Joana.
Ninguém é perfeito pra gente, nem uma pessoa igual a nós (essa sim seria insuportável!), nem o cara da novela, nem a mulher da playboy.Nem aquela pessoa que a gente acha que vai passar o resto da vida. Ees sempre tem defeitos e vão mudar muito e provavelmente vão mudar tudo o que você gosta, mas o que você não gosta, ah! isso vai te infernizar pra sempre.
Mas por que não ver as qualidades? Por que não ver as coisas boas? Por que não aproveitar o tempo que teêm juntos? Por que não agradecer que te deram o lugar ou que você tem mão pra segurar no ônibus ou que algum deficiente vai poder finalmente se locomover com mais facilidade?
Dizem que o ser humano está sempre buscando a felicidade plena, mas eu particularmente acho que nós gostamos mesmo é de sermos infelizes. Vamos atrás da felicidade como loucos e quando alcançamos, talvez por medo ou um masoquismo nato da espécie ou qualquer outra razão que eu desconheça, sempre damos um jeito de achar alguma coisa que não está boa.
Afinal tudo que é bom demais não pode ser verdade.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Nublado

Era um dia nublado. E tinha um pouco de triste, muito de cinza, uma dose de melancolia e um certo "não sei o que" de belo.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua com aquela garoinha caindo, aquela que todos os paulistas conhecem muito bem, vi uma mulher e sua filha dividindo o guarda-chuva, um homem tentando se esconder em baixo de um toldo e olhei pra porta de vidro de um pequeno hotel e me vi, tomando garoa no meio da rua e com o rosto muito mais nublado que o dia.
Lembrei de uma viagem que fiz, em que todos os dias foram assim, mas meu rosto estava ensolarado. Mas os dias não são mais os mesmos, as pessoas não são mais as mesmas e as nuvens também cobriram meu sol.
Voltei para o presente e para o nublado. Continuei caminhando.
Me deu uma saudade daquele tempo em que dia nublado era sinônimo de edredon, sessão da tarde, chá e bolinho de chuva. Quando minha vô pedia pra eu deitar do lado dela pra esquentar seus pés. Ou mais tarde quando significava pipoca, filme e namoro.
Continuei caminhando, observando e garoando. Vi um timido raio de sol tentando passar pelas nuvens.
Cheguei em casa e jah estava molhado, mas não sei de que garoa.
Fui até meu quarto e olhei no espelho, vi como os anos tinham passado, quantas marcas tinham deixado, por dentro e por fora. Foi então que chovi, por ninguém, além de mim, poder ver os meus tímidos raios de sol, que já fizeram 40º e ainda lutam com as nuvens.
Olhei as fotos antigas, com pessoas que não vivem mais além de dentro de mim, reli as antigas cartas de amor, e as nuvens foram sumindo.
Lembrei daqueles amigos que já foram os melhores, lembrei das namoradas que também foram os grandes amores da minha vida, lembrei do grande amor da minha vida de verdade, dos dias especiais que estive com quem realmente importava (era pelo menos o que eu pensava na época), lembrei de meus pais e meus irmãos... parei de tentar não lembrar.
Tomei banho e fui dormir. Choveu durante toda a noite.
Acordei e caminhei pro trabalho. Era um dia nublado. E tinha um pouco de triste, muito de cinza, uma dose de melancolia e um certo "não sei o que" de belo.
Aquele dia perfeito pra ouvir aquelas músicas que te fazem lembrar exatamente tudo aquilo que você mais queria esquecer. Um daqueles dias que você fica o dia todo com aquela sensação de "só mais 5 minutos, mãe!".
Andando pela rua olhei no vidro de um carro e vi o sol.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Versões

"Não faça isso!!!"..."Vá em frente."..."Se fizer não tem volta!"..."Mas falta tão pouco...".
E assim continuei durante 2 dias inteiros. Naquele típico drama de consciência que só quem já passou por isso sabe como é desesperador.
Há alguns anos atrás eu não pensaria nisso... Por que minha vida era ótima!
Conhecia muita gente, gente nova e novas versões de gente velha.
"Vai fazer ou não?"..."Não"... "Sim"... "Não!!!!!".. "Sim."
Agora estou aqui, sentada no chão (ou no teto?!) frio, olhando as luzes que acendem e apagam consomindo a minha energia sem nem me pedir licença.
"Sim."... "Não!"... "Sim."... "Não"
Eu continuo estática. Eu?! A nova versão de mim mesma.
Percebo que alguém me observa. Uma mulher. Sentada onde eu estou, vestindo a mesma roupa que eu, e com o mesmo olhar que não mostrava nada. E nesse instante me sinto roubada. Eu estava sendo roubada por mim mesma e de mim mesma! E nessa hora sinto uma vontade imensa de rir. E eu ri, assim como ela.
"Sim."... "Sim."..."Sim!"... "Sim!!!"
Levantei. Ela ficou, me olhando como se pudesse prever meus passos. Como se já tivesse andado meus passos. Isso me incomoda absurdamente.
Começo a andar de encontro as luzes que me consumiam. E ela não estava mais lá.
Me desespero.
Pra onde foi?! Pra onde foi a única pessoa que teve coragem de me ver assim?!
E percebo que ela realmente me roubou, então eu choro.
"Não."... "Não."... "Não!"... "Não!!!"
Recuo.
Decido que vou me sentar novamente e olhar as janelas do prédio em frente, onde cada um que conheço ousa viver, enquanto eu permaneço sentada e olho.
Levanto.
E num impulso momentâneo, enquanto as luzes apagavam... eu pulei!

Acordei.
Levantei.
Olhei no espelho... uffa...
Eu renasci.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Coincidências

"Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode as 6h da manhã..." Coincidência ou não, esta era a música que tocava no rádio que me despertou. Acordei, fui ao banheiro escovar os dentes, depois fui tomar o café preto (que sem o qual, não conseguiria criar coragem para passar pelo portão), como de costume dei comida para o meu gato (e imagino que seja este o único motivo que o faça voltar depois de suas noites agitadas) e sai.
Como todos os dias úteis eu dirigi até meu escritório, onde minha secretária sempre me dá "bom-dia" com um ar de tédio e se vira antes que eu tente começas qualquer conversa.
E como todos, este dia tinha tudo para ser normal. Até que... meu celular tocou, não atendi, pois pensava que era minha ex-esposa mendigando mais alguns reais para a pensão do filho que ela diz que é só dela. Insistentemente tocou por 4 vezes enquanto eu ficava parado, olhando pro celular vibrando sobre a mesa, imaginando todos os palavrões que ouviria se ousasse apertar aquela teclinha verde do celular. Na quinta vez, vencido pelo cansaço, atendi. Uma bela voz feminina diz:
- Marcos? Como é difícil falar com você!
- Célia?
- Quem é Célia?
- Ninguém importante. Quem está falando?
- É a Aninha. Lembra? Gatinha 23, do site de encontros.
- Ah sim. - Eu não tinha nem computador e achava que nem idade mais para me inscrever num site destes. - Como você está?
- Bem e você? Decidiu de vai vir me encontrar no shopping?
- Estou bem. Em que shopping tinhamos marcado mesmo? Estou tão ocupado ultimamente que acabo esquecendo das coisas.
- No Anália, Marcos. Então te espero no outback as 21h, ok?
- Claro, mas como saberei quem é você?
- Pela foto que eu te mandei, ou você apagou?
- Não, mas sabe que as fotos nem sempre são fiéis.
- Estarei de chapeu preto.
- Tudo bem, até mais tarde então, Gatinha. Ops. Aninha.
- Hahaha, até.
Click
Acho que foi um dos dias que mais ri na minha vida. Coitada, devia estar muito desesperada para ligar tanto assim pra um cara que conheceu na internet e ele nem vai estar lá, fora a coincidência, ele também chamava Marcos. Hahahaha.
Todo o resto do dia foi normal.
Quando estava indo para casa, apenas para abrir a porta para o gato ir para sua farra, jantar sozinho, tomar banho sozinho e dormir SOZINHO... pensei na Aninha. Sozinha, esperando outro Marcos. Dane-se o gato. Fui encontrar Aninha.
Encontrei uma mulher de 34 anos, um pouco acima do peso, mas tinha um sorriso lindo. Me apresentei. Ela confessou que tinha mentido a idade, eu confessei que tinha mentido tudo, menos o nome.
Uma coisa que ela nunca entendeu, e eu também não vou explicar, é como o perfil dela sumiu do site.
Dois anos depois, eu e Aninha temos dois gatos e ainda não temos computador. Só pra garantir.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Avaliação de 2009

Estive falando hoje com um amigo (inclusive o mesmo que me incentivou a fazer este blog) e ele me perguntou qual nota eu daria para 2009.
Tive que parar pra pensar porque esta pergunta é mais difícil do que pode parecer.
Meu primeiro sentimento foi: 'ptz, não foi um ano bom', mas resolvi parar pra pensar e fazer um resumo do que foi o ano recém sepultado: Fiquei longe do meu namorado por quase 10 meses; consegui meu primeiro estágio na minha área; fui efetivada; terminei minha faculdade; fiz minha primeira viagem internacional; fiz e desfiz amizades; fiquei longe de uns amigos, porém proxima de outros; fiquei mais próxima da minha família; muitas alegrias, mas em contra-partida um stress emocional forte.
Pensando desta maneira, os acontecimentos bons ganham em quantidade dos ruins, mas como todo mundo faria, eu deixei os ruins tivessem um peso extra.
Desta maneira repensei minha avaliação e dei nota 8 a 2009.
Acho que nunca vou ouvir uma avaliação 10 de um ano que passou, até porque, nós, seres humanos, nunca estamos plenamente satisfeitos. Tudo de bom que acontece poderia ser melhor, o salário podia ser maior, poderia ter viajado mais nas férias, o tempo poderia ter sido aproveitado de outra forma... mas poderiamos ver as coisas de outra maneira: 'ptz, não era bem assim que eu imaginava, mas foi o melhor que eu e todos que estavam comigo pudemos fazer.', desta forma, acredito eu, que todos os anos passariam a ser 10. Mas como diz o trecho de um texto quase nada famoso "Não esqueça os elogios que receber, esqueça as ofensas. Se conseguir, me ensine como." (Filtro Solar - Predro Bial)

Que 2010 seja 10 para todos nós.