terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Coincidências

"Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode as 6h da manhã..." Coincidência ou não, esta era a música que tocava no rádio que me despertou. Acordei, fui ao banheiro escovar os dentes, depois fui tomar o café preto (que sem o qual, não conseguiria criar coragem para passar pelo portão), como de costume dei comida para o meu gato (e imagino que seja este o único motivo que o faça voltar depois de suas noites agitadas) e sai.
Como todos os dias úteis eu dirigi até meu escritório, onde minha secretária sempre me dá "bom-dia" com um ar de tédio e se vira antes que eu tente começas qualquer conversa.
E como todos, este dia tinha tudo para ser normal. Até que... meu celular tocou, não atendi, pois pensava que era minha ex-esposa mendigando mais alguns reais para a pensão do filho que ela diz que é só dela. Insistentemente tocou por 4 vezes enquanto eu ficava parado, olhando pro celular vibrando sobre a mesa, imaginando todos os palavrões que ouviria se ousasse apertar aquela teclinha verde do celular. Na quinta vez, vencido pelo cansaço, atendi. Uma bela voz feminina diz:
- Marcos? Como é difícil falar com você!
- Célia?
- Quem é Célia?
- Ninguém importante. Quem está falando?
- É a Aninha. Lembra? Gatinha 23, do site de encontros.
- Ah sim. - Eu não tinha nem computador e achava que nem idade mais para me inscrever num site destes. - Como você está?
- Bem e você? Decidiu de vai vir me encontrar no shopping?
- Estou bem. Em que shopping tinhamos marcado mesmo? Estou tão ocupado ultimamente que acabo esquecendo das coisas.
- No Anália, Marcos. Então te espero no outback as 21h, ok?
- Claro, mas como saberei quem é você?
- Pela foto que eu te mandei, ou você apagou?
- Não, mas sabe que as fotos nem sempre são fiéis.
- Estarei de chapeu preto.
- Tudo bem, até mais tarde então, Gatinha. Ops. Aninha.
- Hahaha, até.
Click
Acho que foi um dos dias que mais ri na minha vida. Coitada, devia estar muito desesperada para ligar tanto assim pra um cara que conheceu na internet e ele nem vai estar lá, fora a coincidência, ele também chamava Marcos. Hahahaha.
Todo o resto do dia foi normal.
Quando estava indo para casa, apenas para abrir a porta para o gato ir para sua farra, jantar sozinho, tomar banho sozinho e dormir SOZINHO... pensei na Aninha. Sozinha, esperando outro Marcos. Dane-se o gato. Fui encontrar Aninha.
Encontrei uma mulher de 34 anos, um pouco acima do peso, mas tinha um sorriso lindo. Me apresentei. Ela confessou que tinha mentido a idade, eu confessei que tinha mentido tudo, menos o nome.
Uma coisa que ela nunca entendeu, e eu também não vou explicar, é como o perfil dela sumiu do site.
Dois anos depois, eu e Aninha temos dois gatos e ainda não temos computador. Só pra garantir.

2 comentários:

  1. Curti o conto...

    Como vc nao colocou créditos, estaria correto supor q a autora deste é Regina Ramos??

    bjao e miss ya!

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  2. ahuahu showww!!!! Ele não é um terrorista !!!

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